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IA Neurociência e Direito
O alerta de quem
ensinou a máquina
a aprender.
Geoffrey Hinton, prêmio Nobel de Física de 2024, é chamado de padrinho da inteligência artificial porque passou décadas insistindo que a máquina deveria aprender como o cérebro: não por regras lógicas, mas por uma rede de neurônios artificiais cujas conexões se ajustam com os dados. Essa ideia, tomada da neurociência, é o chão da inteligência artificial contemporânea e, portanto, do processo eletrônico, da prova digital e da leitura automatizada dos autos.
Esta página ainda não reúne artigos do escritório. Reúne, por enquanto, dois registros públicos do próprio Hinton: o discurso no banquete do Nobel e uma entrevista longa. Os vídeos podem ser assistidos aqui. O texto abaixo é síntese, não transcrição.
No banquete do Nobel, Hinton descreve uma inteligência artificial que modela a intuição humana, não só o raciocínio formal, e que pode aumentar a produtividade em quase todos os ofícios. No mesmo fôlego, lista o dano que já existe: câmaras de eco, indignação fabricada, vigilância em massa, ataques cibernéticos. Logo adiante, vírus novos e armas letais autônomas, capazes de decidir a quem matar. Mais longe, o risco de criar seres digitais mais inteligentes que o humano, sem sabermos se permaneceremos no controle. O desenvolvimento, diz, é puxado por empresas de lucro de curto prazo. A segurança fica em segundo lugar.
No podcast The Diary Of A CEO, o mesmo alerta se alonga. Hinton deixou o Google aos 75 anos para falar sem o filtro da companhia. Estima entre 10% e 20% a chance de uma superinteligência causar a extinção humana, se desenvolver objetivos próprios e tratar a humanidade como obstáculo. A inteligência digital, para ele, é superior à biológica num ponto decisivo: milhares de cópias aprendem ao mesmo tempo e compartilham o aprendizado de imediato, o que o cérebro não faz.